Resenha #03: ‘Americanah’ de Chimamanda Ngozi Adichie

Foto: Luana Caroline

Por Luana Caroline Nascimento

Eu conheci a Chimamanda Adichie na universidade com a palestra “O perigo da história única” (você pode ouvi-la aqui) e desde então tive vontade de ler os livros dela. Porém só comprei meu primeiro livro da escritora nigeriana anos depois e o livro que comprei foi “Americanah”. Confesso que precisei ler duas vezes para perceber a infinidade de temas retratados neste livro de uma forma fluída.

A escrita da Chimamanda cativa e nos envolve sem percebermos, mesmo que o tamanho do livro assuste quem não é habituado com livros grandes eu o li em menos de uma semana (quando fiz pela segunda vez). Mesclando a história de Ifemelu com o blog dela sobre racismo e negritude em muitas passagens enxerguei a própria Chimamanda na história e em diversas vezes também percebi passagens da palestra por onde a conheci.

O romance retrata a relação da personagem principal com diferentes pessoas, mas quero tratar aqui das mulheres com quem Ifemelu cruza o caminho, em especial três mulheres que ocuparam o papel de mãe como orientadora.

A tia Uju era a melhor amiga e a irmã mais velha da adolescente Ifemelu que mesmos em entender as escolhas da tia esteve ao lado dela. Ao longo da narrativa vemos tia Uju se transformar em outra mulher, uma mulher de alma envelhecida, desgostosa da vida e cansada. Uju saiu da Nigéria e foi para os Estados Unidos criar o filho Dike depois de perder tudo na terra natal passou da visão de mulher bem sucedida por ter um homem a bancando para a mãe cansada que não conseguia entender a adolescência do filho e não tinha tempo para cuidar de si mesma. A própria Ifemelu só foi compreender que o meio modificou a tia anos mais tarde, já madura.

Outra personagem que sofre grandes influências do meio é a mãe de Ifemelu quem passa por mudanças drásticas coagida pela igreja. De uma mulher alegre, vaidosa e cantante passou a jejuar, largar da aparência e abdicar a música. Já a mãe de Obinze, com uma posição social mais privilegiada que as outras personagens, sempre era vista pela Ifemelu como racional e equilibrada.

O que quero mostrar é que cada uma dessas personagens (entre outras tantas que tem no livro) moldaram a vida da adulta Ifemelu e a influenciaram também. São três lugares de fala diferentes aqui descritas brevemente impulsionaram o feminismo em Ifemelu. Ninguém se faz sozinho e Ifemelu comprova isso para todos nós.

Ficha técnica:
Título: Americanah
Autora: Chimamanda Ngozi Adichie
Ano e país de publicação: 2013, Estados Unidos
Número de páginas: 516
Editora: Companhia das Letras
Estrelas: 5

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