Resenha #09: ‘As bonecas negras de Lara’ da Aparecida de Jesus Ferreira

Foto: Ana Istschuk

Por Luana Caroline

‘As bonecas negras de Lara’ é um livro que o acaso me deu de presente. Conheci tanto o livro como a autora, Aparecida de Jesus Ferreira (confira a entrevista com ela no nosso blog), quando fui cobrir o lançamento do livro e o encanto foi instantâneo. Aparecida já foi entrevistada pelo blog Pássaro Liberto e você pode conferir a entrevista aqui. O livro infantil marca pela história de três amiguinhos que relatam as próprias experiências com bonecas negras e as origens de famílias diversas.

O principal tema desse livro é a representatividade infantil na diversidade. Nenhuma criança é igual a outra e por isso não podemos definir padrões infantis a partir de brinquedos de massa. Cada criança tem uma identidade, e isso deve ser valorizado, sim.

As três crianças têm famílias diferentes, Lara tem duas casas: uma parte da semana fica com a mãe e na outra com o pai. Paula vive com a avó e, na família de Sérgio, a mãe e o pai moram na mesma casa. Encanta-me esse detalhe na narrativa: para as crianças toda família é onde mora o amor, sejam de pais separados ou de quem não mora com os pais biológicos.

Quem tem mania de complicar tudo é adulto mesmo!

No livro as três crianças estão brincando na casa da Lara e devem contar uma para as outras histórias verdadeiras que envolvem brincadeiras com bonecas. Aqui a diversidade de brincadeiras está no fato de Sérgio, mesmo sendo um menino, brinca com bonecas. Afinal de contas não há brinquedos para meninas e brinquedos para meninos, há brinquedos que devem ser brincados pelas crianças. Quem complica tudo é só o adulto. Mesmo.

As bonecas de Lara são abayomis, uma tradição que passa de mãe para filha por anos na família da pequena protagonista. Abayomi é uma boneca feita de pano, que as escravas faziam com as próprias roupas para as crianças brincarem enquanto ainda estavam nos navios negreiros. Misturando história, tradição e literatura a pequena Lara ensina que representatividade é muito importante, pois ela ama as bonecas negras dela.

Na história de Sérgio ele conta que fez novos amigos no parque enquanto brincava com as bonecas dele e com os carrinhos. No parquinho ele pode brincar com uma boneca negra de trancinhas. Já a terceira criança, Paula, conta que um dia a professora dela levou desenhos de bonecas para a sala de aula e ela com os colegas deveriam pintar as bonecas da cor que quisessem e desenhar o cabelo que preferissem. “A Paula, como é uma menina muito bonita e inteligente, olhou a pele dela e começou a comparar os lápis e ver qual o lápis de cor teria a cor de pele dela. Ela queria uma boneca igual ela. A Paula pegou a cor salmão e pintou a boneca que ficou linda, e depois fez o cabelo da boneca igual ao seu.”

As ilustrações do livro são de Élio Chaves que completam a experiência narrativa estimulando a imaginação infantil e ensinando novamente ao adulto a ler livros com figurinhas percorrendo um universo mágico. Afinal em nenhum momento do texto está escrito que Lara e Sérgio são negros e por isso gostam de se identificar com as bonecas negras, quem nos diz isso são os desenhos.

Ao final do livro há várias atividades para que professores, pais e educadores trabalhem a história de Lara com as crianças, pois o livro não se encerra no final da história e nem deve ser lido sozinho.

Ficha técnica:
Título: As bonecas negras de Lara
Autora: Aparecida de Jesus Ferreira
Ano e país de publicação: 2016, Brasil
Editora: ABC Projetos
Estrelas: 5

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