Resenha #13: ‘Pó de lua nas noites em claro’ da Clarice Freire

Foto: Luana Caroline

Por Luana Caroline

Tenho falado em várias resenhas sobre livros que me encontram. A resenha dessa semana é mais uma dessas obras. Há livros que nos encontram, não somos nós que o encontramos, ‘Pó de lua das noites em claro’ é mais um desses casos – inclusive pelo contato que sempre tive com a poesia.

Conheci a obra por um programa de premiação de uma livraria e esteve na minha lista de leituras em maio (reveja aqui). O livro é lindo pelo conjunto completo da obra, os cantos arredondados do papel, a lombada amarela e o papel em um tom menos branco já conquistaram um lugar no meu coração. Clarice Freire escreve poesias para a alma e para os olhos, os textos casam com os desenhos e os silêncios da linguagem nas páginas em branco, e também em preto. Tudo que está no livro é parte da obra.

Ao decorrer da leitura me sentia uma criança maravilhada lendo um livro ilustrado sozinha pela primeira vez. A cada página eu lembrava de uma pessoa diferente e aos poucos me revi na adolescência de madrugadas adentro fechada no quarto e escrevendo páginas e páginas de um diário sem fim.

O livro reúne poemas desenhados ou desenhos poéticos produzidos pela Clarice (confira no Instagram da autora). Em 2011 ela criou um blog para publicar seus trabalhos. Este é o segundo livro lançado e mal posso esperar para ver o terceiro.

Nos agradecimentos a autora ressalta que mesmo que escrever seja um ato solitário ela não escreve sozinha, o Pássaro Liberto nasceu de um sentimento muito parecido: a leitura não é um ato sozinho. Viver experiências literárias é muito mais enriquecedor em conjunto. 

Ficha técnica:
Título: Pó de lua nas noites em claro
Autora: Clarice Freire
Ano e país de publicação: 2016, Brasil
Editora: Intrínseca
Estrelas: 5

Resenha #12: ‘Saudade’ da Melissa Garabeli e do Phellip Willian

Foto: Luana Caroline

Por Luana Caroline

A resenha desta semana será um pouco diferente porque a escolha também foi diferente. O livro ‘Saudade’ está entre os finalistas do Prêmio Jabuti 2019 e conquistando os corações de todos. Também não é para menos. A obra é uma homenagem ao Barney, um cachorro resgatado muito amado pelos escritores, Melissa Garabeli e Phellip Willian – saiba mais sobre a história da obra aqui.

Conheci a história de Barney ao ler a primeira página do livro e não consegui conter as lágrimas. Acima de tudo fiquei grata por existir no mundo pessoas que sem importam pelo sofrimento do outro e por se dedicarem a cuidar de outras vidas. O que sinto ao olhar para a capa do livro é gratidão, mas a leitura foi uma mistura de muitas emoções. Ler essa obra é abrir-se e permitir sentir saudades, sentir compaixão e empatia. Como Vitor Cafaggi, autor do prefácio da obra, também creio que toda criança deva ter um amigo peludo pela pureza deles, assim como é pura a história e carinho do livro ‘Saudade’.

Um ensinamento budista fala que o apego é o oposto do amor, porque o apego é querer que o outro te faça feliz e o amor é querer que o outro seja feliz. Mesmo que isso signifique estar longe. Amar também é deixar partir. Na prática é bem mais difícil que na teoria não é mesmo?

A edição de luxo da obra é um encanto da capa até a última linha. É mais que a beleza da obra, que é linda, é o sentimento de carinho que desperta. Pude sentir o amor e o cuidado dos autores em cada aquarela que compõem a obra de 144 páginas. Há uma sensação de afeto que só o traço da Melissa é capaz de transmitir, o que quero dizer é que essa obra só existe porque foram eles que criaram. Ninguém faria algo tão admirável. Quando comprei e li a obra não conhecia os escritores e essa confirmei essa teoria minha quando os vi pela primeira vez. Há Leão (um dos personagens da HQ) na Melissa e no Phellip e há Melissa e Phellip no Leão.

Eu tenho um critério de quando uma leitura me modifica eu quero que todos meus amigos a leiam também e assim o livro vai circulando de casa em casa até voltar para minha estante – quem convive comigo sabe muito bem disso. Saudade foi assim que logo após a minha leitura passeou pela casa dos meus amigos e seguiu encantando todo mundo. Para quem está lendo essa resenha eu quero muito que você também leia essa obra e que você nunca mais seja o mesmo depois da leitura.

Ficha técnica:
Título: Saudade
Autor: Melissa Garabeli e Phellip Willian
Ano e país de publicação: 2018, Brasil
Editora: Edição Independente
Estrelas: 5

Bookhaul #08: Leituras de outubro

Todo mês faremos um vídeo com os títulos que pretendemos ler. O objetivo é apresentar os livros contando sobre seu conteúdo e mostrar as suas edições. Confira a nossa seleção de obras para o mês de outubro.

Lista dos livros indicados no vídeo:

  • Mulherzinhas – Louisa May Alcott
  • O intérprete de males – Jhumpa Lahiri
  • Querem nos calar: poemas para serem lidos em voz alta – Mel Duarte (org.)
  • Todos nós adorávamos caubóis – Carol Bensimon
  • Maus: a história de um sobrevivente – Art Spiegelman

Resenha #11: ‘O último minuto custa a chegar, mas é maravilhoso’ do Vitor Toscano

Foto: Ana Istschuk

Por Luana Caroline

‘O último minuto custa a chegar, mas é maravilhoso’ chegou para o Pássaro Liberto pelo autor, Vitor Toscano. O livro reúne contos de histórias entre pais e filhos com relações que se aproximam do macabro, o terror infantil que lembra as características do Coraline. Nenhum personagem dos contos é identificado com nomes, todos sãos ‘pais’ ‘mães’ e ‘filhos’. O livro, com menos de 100 páginas, é para ler em um único fim de semana, mergulhando em um universo que recria o triste e o macabro de forma bela e poética.

O livro é impactante, por diversos motivos. Seja pelos personagens, pela dor ou pelo incômodo da estranheza de algumas situações. A narrativa brinca com o fluxo de pensamento, não se sabe o que é realidade dos personagens e o que é devaneio. Todas as histórias parecem abstrações, ora dos pais, ora dos filhos – essa característica me lembrou a discussão do Tiago Ferro (autor do Pai da Menina Morta’) em uma entrevista aqui para o blog – confira a entrevista aqui e a resenha do livro aqui.

De forma mais aberta ou mais subjetiva todos os contos tratam das mudanças interiores e da inocência infantil a partir destas histórias de pais e filhos. Há alguns trechos que merecem destaque como “certas pessoas, ela disse, se você não toma conta, vão desaparecendo. Fica só a casca” ou “ser adulto é experimentar a solidão mais plena que há”.

Há entre os personagens um que me chamou a atenção, o pai sem filhos, que nada mais é do que um homem que passa a vida imaginando como seria a vida se ele tivesse uma filha. Quantas pessoas há pelo mundo que em vez de viver estão apenas imaginando uma vida? Entre a leitura nos deparamos com outras críticas a sociedade a partir da fala de uma criança que ainda está descobrindo o mundo dos adultos, como no trecho “você tenta explicar que a gente tem que ficar parado olhando as coisas bonitas e elas vão querer te dar um remédio ou um tapa na cara, mas nunca mesmo um beijo”.

Algumas vivências por mais dolorosas que sejam elas têm de ser. A vida é assim e temos que lidar com isso no nosso interior. Antes de tudo é disso que o livro se trata, de como vivemos com as dores do mundo. Como sobrevivermos enquanto tudo ao nosso redor está queimando e a cada notícia parecemos mais próximos de um fim?

“A tristeza acontece um dia. E depois de vez em quando, assim como a saudade e a felicidade”.

Ficha técnica:
Título: O último minuto custa a chegar, mas é maravilhoso
Autor: Vitor Toscano
Ano e país de publicação: 2017, Brasil
Editora: Moinhos
Estrelas: 5

Bookhaul #07: Leituras de setembro

Todo mês faremos um vídeo com os títulos que pretendemos ler. O objetivo é apresentar os livros contando sobre seu conteúdo e mostrar as suas edições. Confira a nossa seleção de obras para o mês de setembro.

Lista dos livros indicados no vídeo:

  • Todos nós adorávamos caubóis – Carol Bensimon
  • O último minuto custa a chegar mas é maravilhoso – Vitor Toscano
  • Acima de nós – Melissa Garabeli e Phellip William
  • Livro sobre nada – Manoel de Barros
  • Autobiografia – José Luís Peixoto
  • Nova reunião: 23 livros de poesia – Carlos Drummond de Andrade
  • Quem tem medo do feminismo negro? – Djamila Ribeiro