Indicação #09: Cinco livros para falarmos sobre racismo por Lu Caroline

No mês de novembro a passarinha Lu Caroline indicou cinco livros para falarmos sobre racismo e a lista está linda. Tem de tudo um pouco, inclusive a obra que inspirou nosso nome. Você sabe qual livro é?

Eu sei por que o pássaro canta na gaiola – Maya Angelou

O livro é uma autobiografia de Maya Angelou e retrata histórias de racismo, abuso e libertação vividas pela jovem que morou com a avó após a separação dos pais. Para Maya a forma de se libertar dos fardos que carregava foi pela escrita. O livro será o tema do encontro do mês de novembro do Clube de Leitura Leia Mulheres PG.

Porque eu não converso mais com gente branca sobre raça – Reni Eddo-Lodge

O livro da premiada jornalista Reni Eddo-Lodge surgiu de um post no blog da autora com o mesmo título que viralizou e despertou a vontade de outras pessoas negras a compartilhar as próprias experiencias de racismo.

Amoras – Emicida

No primeiro livro infantil do rapper Emicida a representatividade é retratada nos inocentes olhos de uma criança que tem orgulho da própria cor. A obra tem ilustrações de Aldo Fabrini. O livro também foi animado e publicado nas redes sociais.

Pequeno manual antirracista – Djamila Ribeiro

Nesta obra a autora Djmila Ribeiro apresenta dez lições de combate ao racismo e de ações concretas para a luta antirracista que está cada dia mais urgente é deve ser abraçada por toda a população. Um livro para ler em um único dia.

Quarto de despejo – Carolina Maria de Jesus

O diário de da catadora de papel Carolina Maria de Jesus é retratado na obra comovente. Além do diário Carolina também escreveu letras de música. Em 2019 a Diálogos Culturais em parceira com a banda Amutuá e a Pássaro Liberto realizou a homenagem “Carolina, Presente” com quatro ações natalinas, entre elas a gravação da música “O pobre e o Rico” e uma adaptação para teatro do livro “Quarto de despejo” que também foi resenhado pelas passarinhas.

Resenha #38: ‘Onírica’ de Phellip William e Melissa Garabeli

Foto: Ana Istschuk

Por Ana Istschuk

Sonho sempre foi um assunto que, sem algum motivo muito consolidado, me interessava muito. As histórias que vivemos nesse mundo inteiro e todo nosso, onde tanta coisa é possível, são encantadoras ao mesmo tempo em que podem nos perturbar terrivelmente.

“Onírica” foi assim para mim: encantador e perturbador. O quadrinho, de texto do Phellip William e de ilustração da Melissa Garabelli, traz cinco histórias-sonhos que nos levam pra esse mundo ficcional que vivemos na realidade.

E como em vários de nossos sonhos, algumas histórias parecem sem fim, inacabadas, interrompidas. A minha preferida é assim. Sua última página é rasgada – manualmente! Que cuidado e capricho lindo, pessoal – nos arrancando – literalmente – o final da história.

Comprei esse livro do casal quando eles expunham com a Velociraptor Pirata na feirinha da Estação Saudade. Não lembro ao certo em que ano foi isso, mas acredito ser perto do lançamento, em 2015. Na época ouvi do Phellip: São sonhos que a Melissa teve quando criança e alguns são bem perturbadores (acredito que foi algo nessa linha, se minha memória não me pregou uma peça). 

De fato eles souberam explorar o potencial de produção que esse estado tão criativo que é o sonho pode proporcionar. Mas não se engane, esses sonhos de criança não tornam o livro leve, infantil ou lúdico. O quadrinho tende muito mais ao tenebroso e assustador ao trabalhar com medos muito reais e humanos. 

Uma leitura rápida, surpreendente, com ilustrações lindas – em preto e branco que ajudam a criar a atmosfera que o livro quer passar – e algumas preciosidades em texto. É um livro que recomendo, principalmente para quem é fã das produções maravilhosas desse casal.

FICHA TÉCNICA

Título: Onírica
Autora: Phellip William e Melissa Garabeli
Ano e país de publicação: 2015, Brasil
Editora: Criado Mudo/Independente
Avaliação:

Avaliação: 4 de 5.

Resenha #37: ‘Meu pai é um homem da montanha’ de Bianca Pinheiro e Gregório Bert

Foto: MUM

Por MUM

Eu conheci Bianca Pinheiro em uma lista de internet sobre HQ’s brasileiros de terror e foi paixão a primeira vista. Meio que fiquei obcecada pela estética do livro presente nessa lista: “Dora”.

Não é de hoje que histórias de terror me intrigam, mas meu gosto para terror é um tanto quanto subjetivo até pra mim, mas o traço de Bianca me chamou de alguma forma. Mas hoje não é de Dora que vamos falar (quem sabe em breve), mas sim de “Meu pai é um homem da montanha” emprestado pelo meu amigo Phellip (que também é roteirista de quadrinhos). Quando descobri Bianca, já sabia que o Phe poderia ter algum livro dela pra me emprestar, dito e feito. Muito obrigada amigo!

“Meu pai é um homem da montanha” é um HQ feito por Bianca Pinheiro (ilustradora, quadrinista e roteirista) e Gregório Bert (tradutor e roteirista) que fala sobre o passado de uma filha e seu pai “o homem da montanha”. Acho que talvez seja um tipo de terror psicológico, mas não sei bem se seria essa a definição. O roteiro é tão exato, dosado e ao mesmo tempo não concreto, que te transporta diretamente pra montanha e te mergulha na pele da protagonista seja pelas questões literais ou metafóricas (relacionada à separação dos pais e a ausência do pai).

Posso dizer com tranquilidade que essa HQ se tornou uma das minhas preferidas agora. O mistério que cada quadrinho trás, o ritmo da história e o final encaixadamente perfeito. É uma leitura bem visual pra ser consumida lentamente.

 Eu pessoalmente, sou uma pessoa com muitos medos sendo o escuro um dos mais pavorosos pra mim. É como se tudo de ruim estivesse escondido ali, pronto pra me devorar. Em uma parte específica da HQ, Bianca consegue me fazer sentir o escuro visualmente me engolindo e eu tão pequena ali no meio dele.

FICHA TÉCNICA

Título: Meu pai é um homem da montanha
Autora: Bianca Pinheiro e Gregório Bert
Ano e país de publicação: 2015, Brasil
Editora: Publicação independente
Avaliação:

Avaliação: 5 de 5.

Resenha #36: ‘Criaturas e criadores’ de Raphael Draccon, Carolina Munhóz, Frini Georgakopoulos e Raphael Montes

Por Luana Caroline Nascimento

“Nem sempre boas histórias têm final feliz. Mas não quer dizer que não tenham valido a pena”. Quatro histórias clássicas de terror recontadas passando no Brasil escritas por quatro autores diferentes. Para marcar o mês de outubro todas as publicações serão votadas ao gênero de terror e o livro “Criaturas e Criadores” carrega histórias que me surpreendeu. Não sou grande leitora do gênero, mas conhecer esse livro foi uma boa experiência.

Cada história carrega características diferentes: a primeira com um debate sobre a construção do homem na sociedade, afinal somos feitos de momentos e não de dicotomias entre bem e o mal. O segundo conto dialoga com o primeiro e trata de uma personagem destinada a viver com um vampiro. Contudo essa história carrega o estereótipo da rivalidade feminina, duas amigas que se desentendem pela atenção de um homem.

A terceira história foi minha favorita e é muito difícil falar dela ser dar nenhum spoiler. A trama narra os terrores que enfrentamos ao ser mulher: homem que se acham no direito de assediar alguma garota, relacionamentos abusivos e tudo isso em um teatro amaldiçoado. Um conto narrado em primeira pessoa que nos aproxima mais da personagem principal e a rivalidade feminina presente na história anterior é apagada aqui.

A última história é a mais próxima da imagem clássica do “terror” com personagens presos em um porão destinados a maldade alheia que deixa cicatrizes, feridas e berra palavras de ódio. Ao todo o livro é envolvente e não largamos até devorar a última página, mas não recomendo ler no quarto de madrugada, algum monstro pode aparecer querendo contar a própria versão da história. Fica por sua conta e risco descobrir.

FICHA TÉCNICA

Título: Criaturas e criadores
Autora: Raphael Draccon, Carolina Munhóz, Frini Georgakopoulos e Raphael Montes
Ano e país de publicação: 2017, Brasil
Editora: Record
Avaliação:

Avaliação: 4 de 5.