
Por Luana Caroline Nascimento
A voz da periferia, da mulher negra, silenciada por tantos anos agora está transformada em verso no livro “Querem nos calar: poemas para serem lidos em voz alta”. A antologia de poesias de Slam é organizado pela Mel Duarte e tem o prefácio de Conceição Evaristo. São 15 mulheres negras que que dão vida a sofrimentos por anos oprimido. Para o negro o ato de apenas existir já é um ato de resistência, pois o Brasil os mata um pouco a cada dia.
Os poemas tratam da representativa, da luta e da sobrevivência ao machismo, que infelizmente algumas vezes ganham, afinal de contas a mulher negra da periferia tem que ser todo dia a tal “guerreira”. Ela não pode ser apenas humana porque o sistema é feito para aniquila-la.
Poesia feita por negros, escrita e fala de forma coloquial é tão “cultura” quando o que é feito pelo homem branco e aqui temos o endosso de que estamos falando de mulheres que foram historicamente negadas ao conhecimento. Não há como destacar um ou outro poema, afinal todos cutucam a ferida, geram incomodo e questionamento. Afinal de contas esse é o propósito.
Se Vinicius de Morais sempre foi o “preto mais branco do Brasil” aqui temos o preto falando pelo preto: denunciando o machismo, a opressão, a sexualização do corpo negro, o conservadorismo que mata e aniquila o que lhe é diferente. O livro é um grito que está tudo bem em ser preto e se amar. Não é nenhum crime, nem nenhum pecado o preto gostar de si mesmo, amar sua cor, sua pele, sua origem e seu cabelo mesmo em um país preconceituoso. Essas mulheres não vão mais se calar, nem voltar para a senzala!
FICHA TÉCNICA
Título: Querem nos calar: poemas para serem lidos em voz alta
Organização: Mel Duarte
Ano e país de publicação: 2019, Brasil
Editora: Planeta
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