Resenha #16: ‘Tô suja de Farelo’ de Rafa Albuquerque

Foto: Luana Caroline Nascimento

Por: Luana Caroline Nascimento

Comprei “Tô suja de farelo” as cegas na livraria da minha cidade. Eu não conhecia o título, nem a autora (que você pode conferir o trabalho aqui), mas o santo bateu e decidi levar o livro para casa. O livro conta a história de Ela e Ele a partir de poemas, os poemas são divididos em capítulos e cada capitulo inicia com uma ilustração da Thaís Cavalcanti. A história é sobre Ela, sobre se redescobrir e entender que só a gente é responsável pela própria felicidade. É clichê, mas é sempre bom lembrar.

Ela, a personagem, está se redescobrindo depois de viver uma desilusão amorosa e percebe a duras penas que esse é um processo solitário, afinal “ninguém substitui ninguém”. Com o tempo Ela consegue entender que primeiro precisa ser feliz sozinha. A narrativa me lembra o livro “Os 12 signos de Valentina” que descobri com uma resenha do Canal Lar da Agatha (confira aqui e que logo também farei minha resenha sobre o livro).

A ideia de compreender a própria felicidade é tratada no livro de forma leve, descontraída. Aqui ninguém está dando sermão nem julgando ninguém. A obra de 124 páginas é mais um daqueles livros para se ler de uma vez só – até porque não consegui parar de ler antes do final. A história também mostra que nossas vidas são cíclicas e que não temos que nos forçar para caber em nenhum lugar, nem em ninguém.

Já comentei em outra resenha que meu critério para gostar de um livro é querer emprestá-lo a todas as pessoas que conheço. “Tô suja de farelo” é um desses livros que quero mostrar a todas as garotas que gosto. E é por isso que o destinei para o acervo da Biblioteca Solidária Professora Aparecida de Jesus Ferreira, e assim outras mulheres poderão livrar-se dos farelos de amores mal-amados.

Ficha técnica:
Título: Tô suja de farelo
Autora: Rafa Albuquerque

Ilustradora: Thaís Cavalcanti
Ano e país de publicação: 2019, Brasil
Editora: Pandorga
Estrelas: 5

Indicação #02: Cinco poetas por Ana Istschuk

A convidada do mês de março (agora nossas indicações mensais são com convidados) é a mediadora do clube de leitura Leia Mulheres Ponta Grossa, Ana Istschuk. Ela indicou cinco livros de mulheres poetas para leitura.

Um útero é do tamanho de um punho – Angélica Freitas

Este livro é de 2017 e reúne poemas sobre a temática da mulher. A autora traz diversos assuntos que perpassam a vida e construção social da mulher com pitadas de senso de humor e crítica.

O livro das semelhanças – Ana Martins Marques

Num livro cheio de metalinguagem, Ana Martins Marques escreve sobre o mundo por meio do olhar para as coisas e para a palavra. O livro foi lançado em 2015 e é dividido em quatro partes (“Livro”, “Cartografias”, “Visitas ao lugar-comum” e “O livro das semelhanças”).

Júbilo, memória, noviciado da paixão – Hilda Hilst

Lançado em 2018, ano em que a autora foi homenageada da Flip, este livro reúne poemas com as temáticas mais marcantes da poeta: a entrega ao amor, anseio do encontro e o medo da morte.

Outros jeitos de usar a boca – Rupi Kaur

Reunião de poemas fortes sobre a vida de uma mulher que teve que conviver com violência, perda e abuso. Além dessas marcas de dor, o livro traz poemas sobre amor e cura.

Tudo nela brilha e queima – Ryane Leão

Conforme seu subtítulo, o livro traz poemas de luta e amor. A poeta negra, brasileira e professora lançou seu livro em 2017, mas começou a divulgar seu trabalho em lambe-lambe, slams e saraus.

Carolina: Presente!

Que tal presentear alguém que você ama com uma literatura negra? Em parceria com a Diálogos Culturais separamos 10 autoras negras para você conhecer e presentear neste fim de ano.

Pedimos desculpa pelo erro, mas a apresentação “Carolina Presente” do dia 17 de dezembro será às 20h30 no La Ballerina e a entrada pode ser um pacote de absorventes ou qualquer produto de higiene pessoal.

Resenha #13: ‘Pó de lua nas noites em claro’ da Clarice Freire

Foto: Luana Caroline

Por Luana Caroline

Tenho falado em várias resenhas sobre livros que me encontram. A resenha dessa semana é mais uma dessas obras. Há livros que nos encontram, não somos nós que o encontramos, ‘Pó de lua das noites em claro’ é mais um desses casos – inclusive pelo contato que sempre tive com a poesia.

Conheci a obra por um programa de premiação de uma livraria e esteve na minha lista de leituras em maio (reveja aqui). O livro é lindo pelo conjunto completo da obra, os cantos arredondados do papel, a lombada amarela e o papel em um tom menos branco já conquistaram um lugar no meu coração. Clarice Freire escreve poesias para a alma e para os olhos, os textos casam com os desenhos e os silêncios da linguagem nas páginas em branco, e também em preto. Tudo que está no livro é parte da obra.

Ao decorrer da leitura me sentia uma criança maravilhada lendo um livro ilustrado sozinha pela primeira vez. A cada página eu lembrava de uma pessoa diferente e aos poucos me revi na adolescência de madrugadas adentro fechada no quarto e escrevendo páginas e páginas de um diário sem fim.

O livro reúne poemas desenhados ou desenhos poéticos produzidos pela Clarice (confira no Instagram da autora). Em 2011 ela criou um blog para publicar seus trabalhos. Este é o segundo livro lançado e mal posso esperar para ver o terceiro.

Nos agradecimentos a autora ressalta que mesmo que escrever seja um ato solitário ela não escreve sozinha, o Pássaro Liberto nasceu de um sentimento muito parecido: a leitura não é um ato sozinho. Viver experiências literárias é muito mais enriquecedor em conjunto. 

Ficha técnica:
Título: Pó de lua nas noites em claro
Autora: Clarice Freire
Ano e país de publicação: 2016, Brasil
Editora: Intrínseca
Estrelas: 5

Resenha #12: ‘Saudade’ da Melissa Garabeli e do Phellip Willian

Foto: Luana Caroline

Por Luana Caroline

A resenha desta semana será um pouco diferente porque a escolha também foi diferente. O livro ‘Saudade’ está entre os finalistas do Prêmio Jabuti 2019 e conquistando os corações de todos. Também não é para menos. A obra é uma homenagem ao Barney, um cachorro resgatado muito amado pelos escritores, Melissa Garabeli e Phellip Willian – saiba mais sobre a história da obra aqui.

Conheci a história de Barney ao ler a primeira página do livro e não consegui conter as lágrimas. Acima de tudo fiquei grata por existir no mundo pessoas que sem importam pelo sofrimento do outro e por se dedicarem a cuidar de outras vidas. O que sinto ao olhar para a capa do livro é gratidão, mas a leitura foi uma mistura de muitas emoções. Ler essa obra é abrir-se e permitir sentir saudades, sentir compaixão e empatia. Como Vitor Cafaggi, autor do prefácio da obra, também creio que toda criança deva ter um amigo peludo pela pureza deles, assim como é pura a história e carinho do livro ‘Saudade’.

Um ensinamento budista fala que o apego é o oposto do amor, porque o apego é querer que o outro te faça feliz e o amor é querer que o outro seja feliz. Mesmo que isso signifique estar longe. Amar também é deixar partir. Na prática é bem mais difícil que na teoria não é mesmo?

A edição de luxo da obra é um encanto da capa até a última linha. É mais que a beleza da obra, que é linda, é o sentimento de carinho que desperta. Pude sentir o amor e o cuidado dos autores em cada aquarela que compõem a obra de 144 páginas. Há uma sensação de afeto que só o traço da Melissa é capaz de transmitir, o que quero dizer é que essa obra só existe porque foram eles que criaram. Ninguém faria algo tão admirável. Quando comprei e li a obra não conhecia os escritores e essa confirmei essa teoria minha quando os vi pela primeira vez. Há Leão (um dos personagens da HQ) na Melissa e no Phellip e há Melissa e Phellip no Leão.

Eu tenho um critério de quando uma leitura me modifica eu quero que todos meus amigos a leiam também e assim o livro vai circulando de casa em casa até voltar para minha estante – quem convive comigo sabe muito bem disso. Saudade foi assim que logo após a minha leitura passeou pela casa dos meus amigos e seguiu encantando todo mundo. Para quem está lendo essa resenha eu quero muito que você também leia essa obra e que você nunca mais seja o mesmo depois da leitura.

Ficha técnica:
Título: Saudade
Autor: Melissa Garabeli e Phellip Willian
Ano e país de publicação: 2018, Brasil
Editora: Edição Independente
Estrelas: 5