RESENHA #44 “Canções de atormentar” da Angélica Freitas

A resenha de abril da Ana é sobre o livro “Canções de atormentar” da poeta gaúcha Angélica Freitas. O livro reúne poemas escritos entre 2008 e 2020 que versam sobre machismo, situação do país, entre outros assuntos de uma forma crítica, humorada e irônica. Veja o que a Ana achou da leitura!

FICHA TÉCNICA
Título: Canções de atormentar
Autora: Angélica Freitas
Ano e país de publicação: 2020, Brasil
Avaliação: 5/5

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RESENHA #43 “Todas as primaveras em mim” da Deh Muss

A resenha de abril da MUM é sobre o livro “Todas as primaveras em mim” de Deh Muss. Reunidos no livro de estreia da musicista e poeta, os poemas de Todas as primaveras em mim versam sobre o universo feminino e sua experiência de estar no mundo. As ilustrações da artista visual e ilustradora mineira Karla Ruas conduzem nosso olhar para os detalhes, as sutilezas e força dos símbolos que remetem ao feminino.Veja o que a MUM achou da leitura!

FICHA TÉCNICA
Título: Todas as primaveras em mim
Autora: Deh Mussulini
Ano e país de publicação: 2019, Brasil
Editora: Luas
Avaliação: 5/5

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Resenha #34 ‘Entre o batimento e o estilhaço’ de Lucas Walker

Imagem: MUM

Por MUM

14 de junho de 2020

“Entre o batimento e o estilhaço” foi onde estive ao ler as palavras que escrevem essas páginas. Versos que correm, quebram, param e terminam assim como os sentidos do eu-lírico de coração saltando do peito e esmagado no chão. O poeta nos mostra os sentimentos escancarados, doídos de perdas, amor e paixão de um modo quase devocional. O sentimento de solidão vivenciado como reflexos de abandonos permeia quase todo o texto assim como as inúmeras tentativas de lidar com todos esses sentimentos acontecendo juntos dentro de si ao mesmo tempo. O livro nos instiga a vivenciar essa inconstância do eu-lírico através de poemas todos entrelaçados num único enredo onde os protagonistas são a transparência e a veracidade do escritor.

22 de agosto de 2020

“O que há entre o batimento e o estilhaço?” Quando Lucas me fez esse questionamento pra ser respondido em uma única palavra fiquei pensando o que havia ali e a única coisa que me vinha a cabeça era a palavra “raiva” por ser um desses sentimentos que a gente tem entre outros. Ele não é um sentimento constante. Geralmente é um intermediário entre descoberta e tristeza (pra mim) ou tantos outros sentimentos (pra qualquer um).

25 de agosto de 2020

Talvez “raiva” não fosse o sentimento propriamente dito, talvez a palavra que eu quisesse usar era “eu”.

14 de setembro de 2020

Eu acho escrever cartas importante. Escrevo pra registrar, pra lembrar, pra escrever, pra reviver, pra aprender, pra saber, pra entender. Entender eu. Entender o outro. Pra conversar com alguém.

Eu gosto de escrever minhas resenhas em formato de carta porque sempre é uma conversa com alguém (na maioria das vezes comigo mesma) nesse sentimento de batimento do ventre a esquerda do peito sendo transmitido pra ponta dos dedos.

15 de setembro de 2020

entre o batimento e o estilhaço
há muita coisa não dita.
há coisas dentro dos olhos
querendo encontrar outros rios
caminhando pro mar
salgado.
Há partes de pele derretendo.
Houve a gente não conseguindo rasgar
                          sozinha.
A gente não precisa rasgar sozinha.

FICHA TÉCNICA

Título: Entre o batimento e o estilhaço
Autora: Lucas Walker
Ano e país de publicação: 2020, Brasil
Editora: Penalux
Avaliação:

Avaliação: 5 de 5.

Resenha #33: ‘Até a alma ficar nua’ da Tanise R. Sutil

Foto: Ana Istschuk

Por Ana Istschuk

Entregar-se a alguém que possa te despir até a alma. Ser intensa. Sentir com o corpo as sensações físicas e as emocionais. Sentimento tátil. O toque físico, literal e o emocional, figurado. A não separação entre essas palavras entendidas como opostas, mas que na verdade são uma mistura e em que uma está incrustada na outra, uma é parte da outra.

Se deixar sentir assim, por si só, já é poesia. Tanise Sutil concretiza essas abstrações em palavras – literais e figuradas – poéticas no seu livro de estreia na poesia. A escrita demarca sua existência no corpo de uma mulher. Uma mulher que deseja ardentemente amar, sentir, transar e fazer da experiência e do prazer a inspiração para seus versos.

O livro é a expressão do corpo e da alma que andam juntas, entrelaçadas, que não existem de forma isolada e que são excitadas juntas. Excitadas a sentir e descobrir, a desejar e ter, a aceitar a entrega, a intimidade, a doação, a profundeza.

Sua poesia é simples em termos de fluidez de leitura – tanto que li durante o trajeto do ônibus para casa -, mas provoca reflexões ao propor vários sentidos às palavras escolhidas para formar os versos.

Ler a piraiense – que tem Ponta Grossa como sua segunda casa – me fez lembrar dos poemas da Ryane Leão e da Rupi Kaur – que fizeram e fazem tanto sucesso nas redes sociais. A autora é direta, fala sem rodeios, mas de forma bela sobre as coisas do corpo e da alma. A eu-lírica se despe na nossa frente e se mostra inteiramente nua, num despir intenso e íntimo.

Aos intensos, urgentes, sentimentais, corporais, físicos, emocionais, abstratos, concretos, enfim, aos que tem alma e corpo eu fortemente recomendo esta leitura que me foi tão bem-vinda, proveitosa e prazerosa.

FICHA TÉCNICA

Título: Até a alma ficar nua
Autora: Tanise R. Sutil
Ano e país de publicação: 2020, Brasil
Editora: Olaria Cartonera
Avaliação:

Avaliação: 4 de 5.

Resenha #31: ‘Nossa poesia’ da Bruna Barreto

Imagem: MUM

Por MUM

18 de agosto de 2020

Faz chuva, chuva forte. O vento carrega as gotas num bater ritmado. Dançante. Cantante. Li “Nossa poesia” num dia assim antes de hoje.

Quando comecei a leitura não sabia o que iria acontecer, foi tão orgânico e tão fluido que não consegui parar por um segundo. As palavras de Bruna fluíam pela minha garganta que era só uma passagem de ar e eu uma ferramenta da sua palavra e do seu ritmo.  Li o livro todo em voz alta, cantei e inventei compassos que talvez pudessem existir também na cabeça de Bruna. Dei notas aquela escrita rimada e penetrante nos poros. Senti. 

“Nossa poesia” é o livro de estreia da autora catarinense Bruna Barreto e  vem com muitas verdades escancaradas sobre as vivências de uma mulher poeta, preta, sapatão e cheia de palavra viva e perspicaz. Conheci Bruna no ano passado nesses encontros bonitos que a vida de cantante oferece e me tornei apreciadora de sua multiplicidade em fazer arte por todo canto. 

 O livro “Nossa poesia” faz parte da série “Palavra de Mulher” que traz publicações de autoras catarinenses “que fazem da palavra escrita uma ferramenta para a reafirmação e reinvenção do que é ser mulher no mundo”. E antes de me despedir deixo com você o primeiro poema do livro: 

Com palavra me visto,
Desde menina.
Antes até de saber o que poesia era,
Já não me desgrudava dela.
Em todos os dias da minha vida,
Ela estava presente,
Desde o primeiro ralado,
Até o cair do primeiro dente.
Agora,
Já sou menina mulher,
Posso ser o que quiser,
Mas todo o dia,
Quero ser poesia.
A palavra me protege,
É meu escudo e munição,
Com ela,
Falo das lutas,
E da cegueira,
Que carrega uma sociedade,
a vida inteira.
Em todos os momentos,
Sejam eles de calor,
Ou nos dias cinzentos,
A palavra é o cimento,
Dessa minha construção,
É o que move todo meu ser,
E meu coração.
Quando penso em cair,
É ela quem segura minha mão,
Sem palavra já não posso viver,
Já que agora,
Somos um só ser.

Bruna Barreto – Nossa poesia

FICHA TÉCNICA

Título: Nossa poesia
Autora: Bruna Barreto
Ano e país de publicação: 2019, Brasil
Editora: Insular
Avaliação:

Avaliação: 5 de 5.