RESENHA #44 “Canções de atormentar” da Angélica Freitas

A resenha de abril da Ana é sobre o livro “Canções de atormentar” da poeta gaúcha Angélica Freitas. O livro reúne poemas escritos entre 2008 e 2020 que versam sobre machismo, situação do país, entre outros assuntos de uma forma crítica, humorada e irônica. Veja o que a Ana achou da leitura!

FICHA TÉCNICA
Título: Canções de atormentar
Autora: Angélica Freitas
Ano e país de publicação: 2020, Brasil
Avaliação: 5/5

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Resenha #40: ‘Sobre-viventes’ de Cidinha da Silva

Foto: Luana Caroline Nascimento

Por Ana Istschuk

O cotidiano é recheado de acontecimentos que rendem registro. Como jornalista, aprendi com a graduação a enxergar esses acontecimentos e transformá-los em histórias vestidas de notícia e reportagem. Mas há cenas da vida em que o que acontece não cabe na roupagem do jornalismo e suas regras. Aí vem a crônica registrando as passagens da vida que valem a pena ter um outro trato.

Para mim, o melhor da crônica é a proximidade que você cria com a leitora atualizada que quer um olhar crítico, humorístico ou de análise dos acontecimentos secos narrados nos jornais. O cronista dá humanidade aos fatos.

Cidinha da Silva – que não é jornalista – captura o dia-a-dia, os acontecimentos jornalísticos e a humanidade dos viventes em seus textos. Não à toa seu livro é intitulado “Sobre-viventes”. São as pessoas, os viventes que só são protagonistas de seus cotidianos as principais “personagens” das curtas – e brilhantes – crônicas da autora.

E no humor e na ironia críticos da escritora é que a leitora lê sobre sexualidade, diversas manifestações de racismo e machismo, relações interpessoais de classe e família, lesbobihomofobia, entre outros assuntos que, apesar de estarem pautados em acontecimentos de 2015/2016, ainda fazem sentido em 2020. 

A maestria da cronista está aí, na habilidade de tornar atual textos tão presos aos acontecimentos passados. Cidinha é uma autora que deve ser lida, até mesmo – ou principalmente – por quem não é da área do jornalismo.

FICHA TÉCNICA

Título: Sobre-viventes
Organização: Cidinha da Silva
Ano e país de publicação: 2016, Brasil
Editora: Pallas
Avaliação:

Avaliação: 5 de 5.

Indicação #09: Cinco livros para falarmos sobre racismo por Lu Caroline

No mês de novembro a passarinha Lu Caroline indicou cinco livros para falarmos sobre racismo e a lista está linda. Tem de tudo um pouco, inclusive a obra que inspirou nosso nome. Você sabe qual livro é?

Eu sei por que o pássaro canta na gaiola – Maya Angelou

O livro é uma autobiografia de Maya Angelou e retrata histórias de racismo, abuso e libertação vividas pela jovem que morou com a avó após a separação dos pais. Para Maya a forma de se libertar dos fardos que carregava foi pela escrita. O livro será o tema do encontro do mês de novembro do Clube de Leitura Leia Mulheres PG.

Porque eu não converso mais com gente branca sobre raça – Reni Eddo-Lodge

O livro da premiada jornalista Reni Eddo-Lodge surgiu de um post no blog da autora com o mesmo título que viralizou e despertou a vontade de outras pessoas negras a compartilhar as próprias experiencias de racismo.

Amoras – Emicida

No primeiro livro infantil do rapper Emicida a representatividade é retratada nos inocentes olhos de uma criança que tem orgulho da própria cor. A obra tem ilustrações de Aldo Fabrini. O livro também foi animado e publicado nas redes sociais.

Pequeno manual antirracista – Djamila Ribeiro

Nesta obra a autora Djmila Ribeiro apresenta dez lições de combate ao racismo e de ações concretas para a luta antirracista que está cada dia mais urgente é deve ser abraçada por toda a população. Um livro para ler em um único dia.

Quarto de despejo – Carolina Maria de Jesus

O diário de da catadora de papel Carolina Maria de Jesus é retratado na obra comovente. Além do diário Carolina também escreveu letras de música. Em 2019 a Diálogos Culturais em parceira com a banda Amutuá e a Pássaro Liberto realizou a homenagem “Carolina, Presente” com quatro ações natalinas, entre elas a gravação da música “O pobre e o Rico” e uma adaptação para teatro do livro “Quarto de despejo” que também foi resenhado pelas passarinhas.

Resenha #32: ‘Fim de Festa’ de Renata Wolff

Foto: Luana Caroline Nascimento

Por Luana Caroline Nascimento

*Texto alterado em 27 de agosto de 2020

É fim de mês aqui. No livro é fim de festa. Fim da névoa. Fim do porre. Descobri a literatura de Renata Wolff pela editora Dublinense. O livro “Fim de Festa” finalista do Prêmio Jabuti 2016 chegou na minha casa e eu devorei as páginas muito mais rápido do que imaginava. É uma leitura envolvente de uma obra extremamente bem escrita e delicada.

O livro Fim de Festa, da Renata Wolff publicada pela editora Dublinense, é uma coletânea de contos, porém há quatro personagens: Ana, Pedro, Sérgio e Carol que aparecerem em vários contos. Sérgio e Carol são um casal que se conhecem na festa de casamento de Ana e Pedro e durante as histórias que vemos o amor dos recém casados ficar abalado os dois novos pombinhos estão cada vez mais apaixonados para aquecer nossos corações de eternas adolescentes leitoras de romances. A obra foi finalista do Prêmio Jabuti 2016.

Há dois contos sobre amizades que foram os mais impactantes na minha leitura: “Roda Gigante”, que leio um trecho nas nossas redes sociais, e “Aviões de papel”. Cada história se passa em uma festa diferente e trata do amor entre amigos de uma forma delicada. Em ambas as histórias vemos amigos precisando ajudar o outro em algum momento difícil e neste momento pandemico que vivemos não há nada que nos de mais saudades do que estar com nossos amigos. É uma leitura envolvente de uma obra extremamente bem escrita e delicada.

Todas as histórias, amores e romances acontecem em alguma festa e a narrativa da história se estende até a manhã seguinte. Quando a ressaca começa. Assim como no nosso ninho aqui da Pássaro Liberto o livro tem personagens lésbica, gorda, heteronormativa, travesti, gay e negra. Nessa festa não há espaço para o preconceito e a ignorancia. Que assim seja nossa literatura sempre!

FICHA TÉCNICA

Título: Fim de Festa
Autora: Renata Wolff
Ano e país de publicação: 2016, Brasil
Editora: Dublinense
Avaliação:

Avaliação: 4 de 5.

Resenha #31: ‘Nossa poesia’ da Bruna Barreto

Imagem: MUM

Por MUM

18 de agosto de 2020

Faz chuva, chuva forte. O vento carrega as gotas num bater ritmado. Dançante. Cantante. Li “Nossa poesia” num dia assim antes de hoje.

Quando comecei a leitura não sabia o que iria acontecer, foi tão orgânico e tão fluido que não consegui parar por um segundo. As palavras de Bruna fluíam pela minha garganta que era só uma passagem de ar e eu uma ferramenta da sua palavra e do seu ritmo.  Li o livro todo em voz alta, cantei e inventei compassos que talvez pudessem existir também na cabeça de Bruna. Dei notas aquela escrita rimada e penetrante nos poros. Senti. 

“Nossa poesia” é o livro de estreia da autora catarinense Bruna Barreto e  vem com muitas verdades escancaradas sobre as vivências de uma mulher poeta, preta, sapatão e cheia de palavra viva e perspicaz. Conheci Bruna no ano passado nesses encontros bonitos que a vida de cantante oferece e me tornei apreciadora de sua multiplicidade em fazer arte por todo canto. 

 O livro “Nossa poesia” faz parte da série “Palavra de Mulher” que traz publicações de autoras catarinenses “que fazem da palavra escrita uma ferramenta para a reafirmação e reinvenção do que é ser mulher no mundo”. E antes de me despedir deixo com você o primeiro poema do livro: 

Com palavra me visto,
Desde menina.
Antes até de saber o que poesia era,
Já não me desgrudava dela.
Em todos os dias da minha vida,
Ela estava presente,
Desde o primeiro ralado,
Até o cair do primeiro dente.
Agora,
Já sou menina mulher,
Posso ser o que quiser,
Mas todo o dia,
Quero ser poesia.
A palavra me protege,
É meu escudo e munição,
Com ela,
Falo das lutas,
E da cegueira,
Que carrega uma sociedade,
a vida inteira.
Em todos os momentos,
Sejam eles de calor,
Ou nos dias cinzentos,
A palavra é o cimento,
Dessa minha construção,
É o que move todo meu ser,
E meu coração.
Quando penso em cair,
É ela quem segura minha mão,
Sem palavra já não posso viver,
Já que agora,
Somos um só ser.

Bruna Barreto – Nossa poesia

FICHA TÉCNICA

Título: Nossa poesia
Autora: Bruna Barreto
Ano e país de publicação: 2019, Brasil
Editora: Insular
Avaliação:

Avaliação: 5 de 5.