Resenha #35 ‘Te levei comigo’ de Pablo Biglia

Foto: Luana Caroline Nascimento

Por Luana Caroline Nascimento

Primavera…

Antes do final deste livro eu chorei. Não acreditei quando as lágrimas caíram, mas chorei. Não conhecia o Pablo Biglia até o livro “Te levei comigo” chegar ao acervo da Biblioteca Solidária Professora Aparecida de Jesus Ferreira e hoje me arrependo de não ter lido esse livro muito tempo antes.

Porque acima de tudo minha vontade é de sair de casa, correndo, com o pijama e pantufa até encontrar o Pablo e abraçá-lo por esse presente que tenho em mãos. Obrigada por criar o Theodoro em minha vida.

A obra publicada pela editora Texto e Contexto narra a história de um jovem que se apaixona e envolve-se com um professor da universidade aonde estuda, o Ricardo. Ao lado do novo namorado ele irá redescobrir a vida e perceber que ao fazermos escolhas deixamos alguma coisa para trás. Theodoro não se sente acolhido em São Paulo e não está feliz.

Uma narrativa envolvente de um livro que li em um único dia com a certeza de que sempre que meu coração chamar vou voltar para dentro desta história que agora é também um pouco de meu lar. Theodoro passa por um processo de amadurecimento durante o livro ao perceber que ao fazer uma escolha abrimos sempre mão de alguma coisa, porém que nossa felicidade e bem estar é uma prioridade apenas nossa.

Tire um tempo para si e desfrute deste livro com a certeza que não será a mesma pessoa ao final da leitura, eu aqui não quero te dar nenhum spoiler do que acontecerá. Por fim, depois eu de secar as lágrimas que insistiram em cair chegou a primavera. Theo, para aonde eu for te levarei comigo!

FICHA TÉCNICA

Título: Te levei comigo
Autora: Pablo Biglia
Ano e país de publicação: 2019, Brasil
Editora: Texto e Contexto
Avaliação:

Avaliação: 5 de 5.

Resenha #34 ‘Entre o batimento e o estilhaço’ de Lucas Walker

Imagem: MUM

Por MUM

14 de junho de 2020

“Entre o batimento e o estilhaço” foi onde estive ao ler as palavras que escrevem essas páginas. Versos que correm, quebram, param e terminam assim como os sentidos do eu-lírico de coração saltando do peito e esmagado no chão. O poeta nos mostra os sentimentos escancarados, doídos de perdas, amor e paixão de um modo quase devocional. O sentimento de solidão vivenciado como reflexos de abandonos permeia quase todo o texto assim como as inúmeras tentativas de lidar com todos esses sentimentos acontecendo juntos dentro de si ao mesmo tempo. O livro nos instiga a vivenciar essa inconstância do eu-lírico através de poemas todos entrelaçados num único enredo onde os protagonistas são a transparência e a veracidade do escritor.

22 de agosto de 2020

“O que há entre o batimento e o estilhaço?” Quando Lucas me fez esse questionamento pra ser respondido em uma única palavra fiquei pensando o que havia ali e a única coisa que me vinha a cabeça era a palavra “raiva” por ser um desses sentimentos que a gente tem entre outros. Ele não é um sentimento constante. Geralmente é um intermediário entre descoberta e tristeza (pra mim) ou tantos outros sentimentos (pra qualquer um).

25 de agosto de 2020

Talvez “raiva” não fosse o sentimento propriamente dito, talvez a palavra que eu quisesse usar era “eu”.

14 de setembro de 2020

Eu acho escrever cartas importante. Escrevo pra registrar, pra lembrar, pra escrever, pra reviver, pra aprender, pra saber, pra entender. Entender eu. Entender o outro. Pra conversar com alguém.

Eu gosto de escrever minhas resenhas em formato de carta porque sempre é uma conversa com alguém (na maioria das vezes comigo mesma) nesse sentimento de batimento do ventre a esquerda do peito sendo transmitido pra ponta dos dedos.

15 de setembro de 2020

entre o batimento e o estilhaço
há muita coisa não dita.
há coisas dentro dos olhos
querendo encontrar outros rios
caminhando pro mar
salgado.
Há partes de pele derretendo.
Houve a gente não conseguindo rasgar
                          sozinha.
A gente não precisa rasgar sozinha.

FICHA TÉCNICA

Título: Entre o batimento e o estilhaço
Autora: Lucas Walker
Ano e país de publicação: 2020, Brasil
Editora: Penalux
Avaliação:

Avaliação: 5 de 5.

Indicação #08: Cinco livros de autores ponta-grossenses por Lucas Walker

Setembro é o mês de aniversário de Ponta Grossa, cidade onde montamos nosso ninho. A indicação do mês é do poeta ponta-grossense Lucas Walker para conhecermos escritores da princesa dos campos e – olha que legal – já resenhamos alguns dos livros indicados e também tem vários deles na nossa Biblioteca! O escritor convidado já publicou 4 livros de poesia e seu último livro, “Entre o batimento e o estilhaço“, foi lançado esse mês. Apoie a produção literária da tua cidade! Compre e leia livro de escritores da tua cidade!

Forte apacheRamon Ronchi

Livro de estreia do escritor, reúne poemas com temática doméstica, infantil, violenta, política, crítica, sem faltar poesia sobre escrever poemas, sobre ser poeta, sobre poesia. Um forte livro de poemas não necessariamente biográficos, mas reais.

Por extensoKleber Bordinhão

É o primeiro livro de crônicas do escritor que já lançou 5 livros de poesia. Seus textos lançam luz a situações que facilmente escapariam dos olhos de um transeunte desatento, mas que foram captados e registrados pelo escritor e poeta (e cronista).

Saudade – Melissa Garavelo e Phellip Willian

A HQ mais querida do coração dos ponta-grossenses, finalista do Prêmio Jabuti de 2019, foi produzida pelo casal jovem pronto para a produção literária: o roteirista e a ilustradora. A história é emocionante, bonita e vai ficar com os leitores pro resto de suas vidas.

Até a alma ficar nua – Tanise R. Sutil

A poesia da autora trata das relações entre os corpos em seu sentido físico e emocional de uma perspectiva de mulher. O livro é produzido manualmente – olha que carinho! – pela Olaria Cartonera e será resenhado este mês por uma das passarinhas.

Marina Brum Rosa

Marina Brun Rosa é escritora pontagrossense. No perfil @marinabrunrosa ela expões seus trabalhos de forma escrita e audiovisual. Em suas próprias palavras ela “escreve para que alguém se encontre em textos escritos sem grandes pretensões, apenas para aliviar a alma de quem escreve.”

Indicação #06: Cinco livros para refletir e explorar as diferenças por Bruna Barreto

Nossa convidada de julho para indicar livros que PRECISAMOS ler é a Bruna Barreto. Mulher de 23 anos, preta, lésbica e poeta, sempre utilizou da escrita como forma principal de expressão. Quando criança escrevia para fugir da realidade e expressar os sentimentos, hoje entende como enfrentamento, fazendo da palavra um instrumento de representatividade. Nasceu na cidade de Jundiaí, no interior de São Paulo, reside em Florianópolis há cinco anos. Em 2017, pela primeira vez, teve a oportunidade de declamar um poema em público, no evento “Fazendo Gênero/Mundo de Mulheres”. Atualmente, divide o tempo entre a graduação em Animação na UFSC e a poesia, sempre pautando questões étnico-raciais e de gênero.

Conheça a lista dela:

No seu pescoço – Chimamanda Ngozi Adichie

Este livro reúne 12 contos da já consagrada autora romancista e ensaísta, sobre a imigração, a desigualdade racial, os conflitos religiosos e as relações familiares. Lançado em 2009, a obra provoca no leitor uma experiência de empatia num texto de experimentações narrativas.

Nascido do crime – Trevor Noah

Com caráter biográfico, o livro conta a história da infância e juventude do autor, um comediante de grande reconhecimento. A narrativa é ambientada no final do apartheid e nos dias de liberdade que se sucederam.

Herdeira do mar – Mary Lynn Bracht

A desconhecida história de mulheres coreanas durante a Segunda Guerra Mundial é o tema deste livro. Um romance sobre duas irmãs, rico em detalhes históricos e em emoção.

Querem nos calar – Mel Duarte (org.)

Esta antologia, organizada pela Mel Duarte, reúnem poemas de 15 mulheres slammers de todo o Brasil. São poemas fortes para serem lidos em voz alta!

Meu crespo é de rainha – Bell Hooks

Publicado originalmente em 1999, este livro de poema rimado apresenta às meninas negras diferentes penteados e cortes de cabelo de forma positiva e elogiosa. É um livro que enaltece a beleza dos fenótipos negros, exaltando penteados e texturas afro, servindo de referência e representatividade.

Resenha #25: ‘Assombro zen’ de Marco Aurélio de Souza

Foto: Luana Caroline Nascimento

Por Luana Caroline Nascimento

Reúna tudo que há de mais asqueroso na raça humana. As piores ações e sentenças. Os mais putrefatos julgamentos. O asco. A náusea. Aquilo que também compõe o humano. Assombro zen é o último lançamento do escritor Marco Aurélio de Souza – um livro do período pandêmico que chegou em minha casa envolto em álcool gel e máscaras. A fragilidade e a pequenez da espécie humana no maior genocídio do povo brasileiro já um Assombro. O livro é uma antologia de (nas próprias palavras do autor) anti-haicais que escancara a podridão da condição humana.

Somos apresentados a um lado da sobrevivência humana. É tudo brutal, é tudo podre, e pelas letras de Marco, é tudo poético. Uma obra irônica para ser lido em uma porrada só, contudo não é uma leitura única. É um livro para ser revisitado, reconsultado e estar perto das nossas mãos sempre.

São 38 poemas que nos deixam com vontade de ler mais e completam o clube de obras que podem ser julgadas pela capa, pois o projeto gráfico (tanto da capa quando das páginas internas) me conquistou desde a primeira vez que vi com jogos de linhas e cores. Nenhuma marca no livro é obra do acaso.

Quando comecei a leitura tinha em mente que seria um livro que me agradaria – contudo, não imaginava que seria um livro que me agradaria tanto. Mesmo sendo os poemas densos a leitura foi uma experiência agradável para uma tarde de domingo, diferente de outros livros que foram dolorosos ao também tratar da podridão humana. Por isso, deixe a falsa inocência e a hipocrisia de lado e assuma também o Assombro zen que corrói nossa estrutura social.

38.
Bonsai de fogo à explosão do infinito
Assombro zen
Mortes sãos números que brotam nos jornais

Marco Aurélio de Souza – Assombro zen

FICHA TÉCNICA

Título: Assombro zen
Autora: Marco Aurélio de Souza
Ano e país de publicação: 2020, Brasil
Editora: Kotter Editorial
Avaliação:

Avaliação: 5 de 5.