
Por Ana Istschuk
Entregar-se a alguém que possa te despir até a alma. Ser intensa. Sentir com o corpo as sensações físicas e as emocionais. Sentimento tátil. O toque físico, literal e o emocional, figurado. A não separação entre essas palavras entendidas como opostas, mas que na verdade são uma mistura e em que uma está incrustada na outra, uma é parte da outra.
Se deixar sentir assim, por si só, já é poesia. Tanise Sutil concretiza essas abstrações em palavras – literais e figuradas – poéticas no seu livro de estreia na poesia. A escrita demarca sua existência no corpo de uma mulher. Uma mulher que deseja ardentemente amar, sentir, transar e fazer da experiência e do prazer a inspiração para seus versos.
O livro é a expressão do corpo e da alma que andam juntas, entrelaçadas, que não existem de forma isolada e que são excitadas juntas. Excitadas a sentir e descobrir, a desejar e ter, a aceitar a entrega, a intimidade, a doação, a profundeza.
Sua poesia é simples em termos de fluidez de leitura – tanto que li durante o trajeto do ônibus para casa -, mas provoca reflexões ao propor vários sentidos às palavras escolhidas para formar os versos.
Ler a piraiense – que tem Ponta Grossa como sua segunda casa – me fez lembrar dos poemas da Ryane Leão e da Rupi Kaur – que fizeram e fazem tanto sucesso nas redes sociais. A autora é direta, fala sem rodeios, mas de forma bela sobre as coisas do corpo e da alma. A eu-lírica se despe na nossa frente e se mostra inteiramente nua, num despir intenso e íntimo.
Aos intensos, urgentes, sentimentais, corporais, físicos, emocionais, abstratos, concretos, enfim, aos que tem alma e corpo eu fortemente recomendo esta leitura que me foi tão bem-vinda, proveitosa e prazerosa.
FICHA TÉCNICA
Título: Até a alma ficar nua
Autora: Tanise R. Sutil
Ano e país de publicação: 2020, Brasil
Editora: Olaria Cartonera
Avaliação:







