Que tal presentear alguém que você ama com uma literatura negra? Em parceria com a Diálogos Culturais separamos 10 autoras negras para você conhecer e presentear neste fim de ano.
Pedimos desculpa pelo erro, mas a apresentação “Carolina Presente” do dia 17 de dezembro será às 20h30 no La Ballerina e a entrada pode ser um pacote de absorventes ou qualquer produto de higiene pessoal.
Convidamos Alison Andrei para conversar com a gente sobre seu lado leitor. Ele é ilustrador, comediante e também tem um podcast, o ‘Mais uma noite de comediante’. E, como de costume, perguntamos para nosso convidado quais seriam os cinco livros que ele salvaria em caso de incêndio.
A seguir todos os livros, artistas, bandas, músicas e listas citados no podcast:
Livros: Roube como um artista – Austin Kleon Como escrever humor – Mel Helitzer/Mark Shatz Gibis da Turma da Mônica – Maurício de Souza O auto da Compadecida – Ariano Suassuna Peças de teatro de Molière Viagem ao centro da Terra – Julio Verne
Indicação de leitura para nós: Roube como um artista – Austin Kleon
Lista dos 5 livros: Roube como um artista – Austin Kleon The umbrella academy (HQ) – Gabriel Bá e Gerard Way Como escrever humor – Mel Helitzer/Mark Shatz A ilha misteriosa – Julio Verne Esperando Godot – Samuel Beckett
O porco Napoleão é uma produção quinzenal do projeto “Pássaro Liberto”, gravado no Cactus Coffee Bar e editado pela equipe do Cultura Plural.
Renato Forin autor de Samba de uma noite de verão, premiado com um Jabuti em 2017| Foto: Ana Istschuk
Essa entrevista é com o escritor ibiporanense Renato Forin, autor de “Samba de uma noite de verão”, seu livro que ganhou o prêmio Jabuti em 2017 na categoria Adaptação. O autor também é dramaturgo, canta e atua em outras áreas da cultura. Ele nos conta como foi se descobrir escritor, seu processo de escrita, sua obra, entre outros assuntos.
Produção
e processo de escrita
Você tem um processo de escrita? É algo mais de inspiração ou rotina?
Não,
até por isso eu estava comentando que eu nem me sinto muito
confortável com a designação “escritor”, porque eu sei que há
pessoas que se dedicam muito a isso, que acordam em determinado
horário, sentam na frente do computador, pensam, têm um processo de
elaboração que é uma rotina de trabalho mesmo. Eu nunca tive isso,
eu não tenho paciência para fazer esse tipo de coisa. Qual é o meu
processo se eu tiver que desenhar um processo? Primeiro que é muito
caótico, mas é a partir de iluminações que eu tenho ao longo do
dia que eu sempre anoto, ou no bloco de notas do celular ou no papel
que estiver ao alcance das mãos e eu vou guardando tudo isso sempre
em uma caixinha.
A
arte me inspira muito, então quando eu estou vendo um espetáculo de
teatro quase sempre eu tenho muitas iluminações nesse sentido, ou
quando eu estou ouvindo uma canção. É como se as coisas
conversassem de alguma maneira e sobretudo quando eu estou em um
processo de criação. Por exemplo, preciso escrever o ‘Samba de
uma noite de verão’, eu preciso escrever hoje, eu tive essa ideia
[…]. Ao longo desse intervalo de tempo, de criação eu tenho esse
processo de escrever em papelzinho e guardar tudo isso. Chega um
determinado dia, que demora um pouquinho, que eu sento e começo a
organizar todos esses materiais e a costurá-los. Tem muito a ver com
o meu processo essa coisa da costura, de colocar no papel muitos
trechos que são poéticos, mas também inspirações de cena: um
pensamento a respeito de uma imagem que pode surgir em cena e que
pode de determinada maneira nos levar para outros lugares no palco.
Engraçado que quase sempre os meus pensamentos literários têm
relação com o teatro. Por isso eu digo que eu gosto muito mais de
ser chamado de “dramaturgo” porque a minha escrita é quase
sempre tem o objetivo de ser incorporada, de ganhar voz e ganhar
corpo. Seja através de uma leitura banal, como aquela que eu faço,
seja através de um grande espetáculo de teatro que tem cenografias,
figurinos e tudo mais. Mas eu imagino sempre menos minha literatura
no livro do que no corpo. Isso é uma coisa bem particular.
E qual a sua expectativa para o consumo do texto dramático? Geralmente as pessoas não compram um livro de dramaturgia só pela leitura…
Eu
não sei, eu acho que as pessoas não leem tanta dramaturgia porque
elas não começaram a ler dramaturgia de alguma maneira como elas
leem romance e poesia. Porque é um gênero muito interessante, a
estrutura propriamente dita de falas de personagens sem a
interferência de um narrador ela abre uma margem de invenção muito
maior na cabeça do leitor. Eu gosto da dramaturgia por esse motivo.
[…] Mas eu acho que é um gênero fabuloso, mas claro, ele exige
muito mais também do leitor. Não pode ser comparado a um romance,
por exemplo, que você tem as coisas um pouco mais prontas, você tem
um narrador que descreve coisas. Claro que existem muitos romances, e
romances líricos que também tem ambiguidades e trabalham com a
figura de linguagem, mas o gênero dramático eu acho que ele é
fabuloso justamente por isso. E ele tem também essa questão de
estar ligado a outra forma de arte.
Hoje
eu vejo que temos tido o surgimento de algumas editoras que são, é
quase uma revanche isso, mas que só publicam textos dramáticos ou
que tenham no texto dramático o seu principal catálogo e tenha
alguns outros também. São editoras que investem em textos que estão
encenados e fazem essa venda na porta do teatro porque as pessoas
querem levar para a casa essa reflexão que elas acabaram de ver e
lembrar de como foi esse espetáculo. E o que sobrevive do teatro
nesse sentido é esse objeto, é o texto publicado. Eu não sei,
apresentando uma outra visão para essa sua pergunta eu acho que tem
essa revanche das editoras que estão só pulicando textos dramáticos
porque as pessoas estão descobrindo que o texto dramático pode ser
um objeto muito interessante para pensar as relações com o teatro,
mas também para ler a partir dessa perspectiva de uma margem maior
de imersão do próprio leitor que eu acho que ele deve ser entendido
a partir desse viés que é completamente diferente da poesia e
também do romance.
Você comentou que o teu processo tem a ver com anotar, guardar e buscar depois as ideias para costurá-las. Como é revisitar essas coisas que você anota? Você se surpreende? Você lembra das coisas que você guarda?
Geralmente,
como esse processo é com um intervalo de tempo não muito longo eu
me lembro delas, mas elas sempre abrem caminhos para novas
possibilidades porque a gente se transforma o tempo inteiro. Eu me
surpreendo lendo comigo mesmo no sentido da transformação de como
eu sei que amanhã eu vou ser uma pessoa completamente diferente de
hoje e como hoje eu sou completamente diferente de ontem. Sabe aquela
coisa que acontece, acontece comigo e deve acontecer com vocês, de
ver aquelas lembranças do Facebook e você fala “meu deus. Quem
era esse? Que vergonha!” é tipo isso. A gente se transforma muito
e eu, particularmente, em espaços curtos de tempo. Não que eu me
surpreenda, mas esses escritos abrem caminho para novas
possibilidades.
Novos
projetos
Aproveita para falar um pouco sobre esse novo projeto do “Ovo”. Quando vai lançar? Como está sendo o processo?
Eu
vou falar um pouco do que é o enredo dele. É a história de dois
irmãos, Édipo e Elétrica, que foram criados no sítio de um Brasil
arcaico em um ambiente rural e eles se encontram depois de um tempo
no ambiente urbano. A peça promove um pouco dessas viagens entre
mundos. E a Elétrica sai do sítio e vai até a cidade aonde Édipo
está exilado justamente para dar a notícia a ele de que a mãe está
morrendo. Que a mãe vai morrer. E a notícia para Édipo que é
apaixonado pela mãe jamais quer ouvir, é a pior notícia que ele
pode ouvir na vida dele. E a partir desse encontro desses dois nesse
ambiente urbano que começam a rever todo um passado e começam a
relembrar [silêncio].
É
engraçado a questão de relembrar, tem a ver com o passado, mas
também com as projeções de futuro. O que vai ser nosso futuro a
partir desse passado e desse presente que a gente está vivendo. E
eles descobrem obviamente essa relação conflituosa entre irmãos
que nascem de um apego desmedido da Elétrica pelo seu pai e do Édipo
pela sua mãe e obviamente uma rivalidade entre esses irmãos e ali
eles descobrem os processos de exploração dessa mãe por esse pai e
uma série de questões que tem muito a ver com aspectos
psicanalíticos e complexos.
É
uma peça extremante lírica, é um texto que em algum momento chega
a ser quase bíblico porque ele é um texto literário mesmo, assim
nem cabe direito na boca dos atores. Não é um texto cotidiano,
corriqueiro como esse [Samba para uma noite de verão] é. É um
texto lírico mesmo. E ele é desenhado dessa forma intencionalmente
para que de fato seja uma poesia para ser ouvida o tempo inteiro e
que fale mais, que conte mais da história desses dois irmãos, mas
que conte a história das nossas próprias vidas. Da vida individual
de cada um.
Ele
tem muitas características do teatro contemporâneo de fragmentação
dos personagens tanto que é como se os atores se conversassem o
tempo inteiro. Em determinados momentos eles falam como entidades
como atores e em determinados momentos eles falam como personagens,
mas ao mesmo tempo não existe limite do que é o ator e o
personagem. Que eu sei que eu sou o tempo inteiro esse Édipo e eu
sei que você é esse tempo inteiro a Elétrica. Entende? Isso não
está separado de acordo. O público não sabe em que momentos é o
ator está falando e que Édipo está falando e isso vai se
confundindo ao longo do de uma hora e meia ao ponto de as pessoas de
fato acreditarem que eles são, que essas entidades todas de fato nos
habitam.
Eu
até falo isso no texto, quantas Elétricas tomam e servem cafés nas
padarias, de olhar determinado?! Esses mitos que são trágicos, que
são gregos, que são do século VIII a.C., convivem com nós,
convivem dentro de nós. E é a coisa mais potente nesse sentido.
Mas
o texto fala o tempo inteiro da passagem das pessoas pelas coisas, do
desaparecimento de uma família, que é uma história tal qual todo
mundo, todos nós estamos sujeitos. É basicamente isso a trama.
[…]
Ela é uma peça concebida para pequenos públicos então a gente
trabalha geralmente com 100 pessoas em uma arena circular e as
pessoas estão muito próximas da gente. A peça se passa dentro do
escritório onde Édipo trabalha, só que ela se passa dentro de um
galinheiro, que o espaço de memória onde eles brincavam na
infância. A gente tem sonoplastia que fazem referência a um
escritório, a um centro urbano, só que eles estão esse tempo
inteiro nesse galinheiro com o palco recoberto com palha de arroz,
pintinhos vivos, cercados por blocos de madeiras e coisas assim. A
gente começa só com três caixas de madeira e esse espaço todo se
transforma na frente do público. Um céu nublado começa a passar
porque a morte dessa mãe acontece no momento que esse céu está
muito nublado e eles ficam esperando uma chuva que não chega nunca e
só chega no final do espetáculo…
Enfim,
é basicamente isso. Essa peça estreou… os meus processos são
sempre, muito, muito longos. Eu acho que eu comecei a escrever em
2013, ela estreou em 2015, a gente já cumpriu mais de 30
apresentações e foi em 2017 que ela ganhou os prêmios literários
do Pará, ganhou o primeiro lugar lá em dramaturgia. Eles trabalham
com ensaios, romances e [Ovo] foi o primeiro lugar geral e o primeiro
lugar de dramaturgia e a premiação desses prêmios literários é a
publicação do livro. Então eles farão essa publicação agora que
será em agosto na feira literária Pan-Amazônica, vocês são
jornalistas e estão dando em primeira mão essa informação que eu
soube em pouquíssimo tempo.
[trecho da resposta da pergunta “Você poderia falar um pouco sobre o livro “Samba de uma noite de verão?” Você escreveu em 2008 e lançou em 2016, por que esperar tanto tempo?”]
O
Ovo não é uma coisa tão de conteúdos internos, mas depende das
iluminações. Claro que ele tem um formato, dialogo com questões da
psicanálise. Quando eu lancei essa peça os psicanalistas ficaram
loucos. Começou a ir pra peça assim com bloco e eu não entendia
nada, “gente, o que está acontecendo?”, ia com um bloco e
anotava, anotava, anotava. Até que esse psicanalista veio falar
comigo: “nossa, eu vi sua peça. Você é psicanalista?” e eu
falei “não” e ela “mas você faz terapia?” e eu falei “não”
e ela “cara, tá Freud em tudo nessa peça” e eu fiquei “mas
como assim?”. Ela me convidou, ela tinha um instituto em Londrina
de pesquisa em psicanálise e a mulher fez um estudo da peça pegando
frase por frase mostrando como aquilo vinha da fase da natureza para
a fase de complexos de Édipo. E ela estudou a peça inteira. Eu
estou sendo muito verdadeiro quando eu coloco sentimentos que são
muito meus no livro, claro que tem isso. E ela me falou uma coisa
linda e que eu não esqueço nunca: “você vem provar então,
diante de tudo isso que você está me dizendo, que Freud estava
ainda mais certo, porque Freud dizia que os poetas sabem antes”.
Então está explicado. Então eu sei antes.
Inspirações
e referências
Quais são as suas principais referências para a construção do seu trabalho?
Existem
dois nomes de escritores para os quais eu sempre volto que eu leio,
releio e volto e são textos repletos de significação. E claro que
o texto está lá e eu que estou mudando, mas eu estou lendo esse
texto cada vez de uma forma diferente, mas são texto que obviamente
tem essa característica de reinvenção, ganha na releitura, que é
Fernando Pessoa e Clarisse Lispector. Esses dois autores eu tenho
toda a obra e recorro a eles o tempo inteiro. Eu poderia falar de
muitos, eu tenho uma biblioteca com um leque imenso, biblioteca para
mim ficou coisa de brinquedo. O povo enlouquece quando chega no meu
escritório, eu perco os livros, não acho mais nada. Não sei nem
porque eu tenho livro se quando eu preciso deles eu não acho. Sei
lá, eu preciso organizar minha vida, mas o lugar desses autores está
sempre direitinho lá porque são autores os quais eu volto muito. Se
eu tivesse que citar dois nomes que me influenciam ainda demais são
esses dois, afora também todos esses compositores. A cada disco do
Caetano Veloso é como se a minha vida mudasse profundamente ou
quando eu descubro esses discos antigos eu fico pensando “o que não
era a emoção de você ir numa loja de disco de vinil e comprar o
disco que lançou naquela semana” porque hoje eles produzem pouco,
mas eu tenho como vantagem por ter nascido nesse tempo a
possibilidade de redescobrir tudo isso que foi feito. No Brasil a
canção popular, sobretudo a canção popular brasileira no Chico e
na literatura esses dois.
Renato Forin autor de Samba de uma noite de verão, premiado com um Jabuti em 2017| Foto: Ana Istschuk
Essa entrevista é com o escritor ibiporanense Renato Forin, autor de “Samba de uma noite de verão”, seu livro que ganhou o prêmio Jabuti em 2017 na categoria Adaptação. O autor também é dramaturgo, canta e atua em outras áreas da cultura. Ele nos conta como foi se descobrir escritor, seu processo de escrita, sua obra, entre outros assuntos.
Trajetória
com a escrita
Como o ato de contar histórias entrou na sua vida?
Desde
muito cedo, só que isso veio de uma reflexão de quando eu era mais
maduro: eu comecei a pensar e questionar na minha vida, o porquê eu
era apaixonado pela literatura e pelo teatro e pelas histórias em
maneira geral, sendo que a minha casa não era uma casa que tinha
muitos livros. Meus pais não tem uma formação universitária, eles
têm o ensino bem básico. E pensando bem nisso eu cheguei a
conclusão que é pela convivência muito cedo com a palavra, com as
narrativas que não passavam pelo livro. A minha mãe era costureira,
o meu pai começou a vida como pedreiro e depois ele abriu um bar.
Todos esses universos de convivência, sobretudo em uma periferia de
uma pequena cidade, propiciava uma existência que era fantástica e
fantasiosa. As histórias que todos contavam ao pé da máquina de
costura ou no final do dia quando os trabalhadores voltavam e batiam
um papo no bar. Tudo isso permeava a minha vida. E como não dizer
que isso não é uma vivencia também poética-literária? Depende do
olhar que você lança para essas coisas.
Existia
um toca disco que era um objeto pelo qual eu sempre fui muito
fascinado. Ficava no quarto da minha irmã. E a minha irmã não
deixava eu mexer nele, claro. Ela colecionava discos. Só que quando
ela saia de casa eu ia lá e fuçava em tudo. Ela é mais velha. Esse
quarto da minha irmã está na minha vida como uma caixa de brinquedo
que me transformou no que eu sou, de alguma forma. Minha família em
geral escutava meio que de tudo: desde o disco na novela Tieta,
passando pelo sertanejo até o Chico Buarque, Caetano e tudo mais. E
minha irmã tinha um gosto muito particular pra música brasileira.
Foi no quarto dela que eu encontrei, por exemplo, o disco da Maria
Bethania que mudou minha vida que nem era um disco de carreira […].
Era um disco de coletânea e quando eu peguei e ouvi aquela voz na
Maria Bethania foi uma coisa de sereia, o Odisseo capturado pela
sereia. Eu passei a estudar a obra da Bethania, no mestrado e no
doutorado também.
Eu
fuçava também nas apostilas de vestibular dela e foi nelas que eu
descobri esse texto que tem uma forma diferente que não ocupa o todo
da página e deixa espaço pro pensamento: que é a poesia. Eu lembro
até hoje de ler nessas poesias pré-vestibular Castro Alves e eu era
muito, muito novo e aquilo me capturava de um jeito e eu achava
aquilo tão lindo. Navio Negreiro, por exemplo, eu li pela primeira
vez naquela apostila. Ela nem sabia disso porque depois eu guardava e
deixava lá no lugar. Mas esses são elementos da minha lembrança
que eu posso identificar como importantes e que eu posso levar aos
caminhos que eu sigo hoje em dia.
Eu
acho que a poesia e a literatura a gente não pode focar apenas no
livro, mas nas vivências poéticas que a gente tem na vida.
Inclusive porque a literatura não nasceu no livro. Se a gente for
pensar na história da literatura, ela nasceu na voz. Até existia a
letra, mas ela não era um código de acesso a todos então tudo era
feito a partir dessa metrificação desses sons. Tudo isso,
inclusive, contribuía para a memorização então os textos
precisavam ser sonoros, precisavam ser musicais. Então dessa forma a
poesia começa, se a gente pensar no mundo ocidental. Se a gente
pensar mais amplamente, a partir do momento que as pessoas se
reuniram em torno de uma fogueira e começaram a contar histórias.
Claro que [o papel] é um objeto fabuloso que guarda as palavras, mas
a gente precisa sempre pensar a vivencia poética também para além
do livro. Eu acho que isso sobretudo para os brasileiros em que a
gente tem a produção nacional mais importante do mundo
reconhecidamente, não sou eu que estou falando, são especialistas.
E alguma coisa acontece nesse lugar para que isso aconteça, para que
a gente faça alta filosofia, alta poesia em canções que são
cantaroladas na rua enquanto a gente está na hora do almoço.
Imagina, cantar um Caetano Veloso ou um Chico Buarque. É isso, eu
acho que são esses elementos que me levaram para a literatura
E a escrita literária mesmo, como ela surgiu na sua vida?
Pergunta
difícil, porque a gente tem aquelas bobagens de sempre desde muito
cedo. Eu acho que todo mundo escreve coisas e guarda na gaveta.
Coisas que não tem qualidade e elas ficam lá guardadas. Mas [saber
como a escrita surgiu] é muito difícil… Nossa é difícil mesmo,
eu não sei. Porque é uma coisa que faz parte da minha vida desde
esse momento que eu descobri as coisas. É uma coisa indissociável:
conhecer a poesia e ao mesmo tempo produzir a poesia ou produzir a
literatura. Eu sempre fui um menino muito estudioso na escola. Eu
gostava mesmo de estudar. Era uma criança bem solitária, mas meus
brinquedos sempre estiveram relacionados a objetos artísticos e a
literatura. Então, sempre escrevi também. Eu não sei te falar
quando foi o momento. Agora levar isso para fora da gaveta que eu
acho que é o passo determinante no caminho de um escritor. Eu acho
que ali é a virada, você ter essa coragem. Porque é também uma
coragem, é uma grande coragem você pensar nos grandes escritores e
como aquilo é um desnudamento da vida. A literatura é um
desnudamento da vida. Ser uma Clarisse Lispector, por exemplo, expor
tudo que é a imensidão de ser humana. Mas não é a partir de uma
visão, um olhar sobre o outro. Você só consegue escrever a partir
de uma visão sobre si, portanto eu acho que é um desnudamento total
e geral.
E
assim, eu posso colocar como um marcador depois que eu termino o
jornalismo. No caminho literário, depois que eu termino o jornalismo
que eu tenho uma consciência maior que os textos estão diferentes e
que, sim, isso é um texto de teatro, isso é um texto que tem um
viés artístico e isso é um texto jornalístico. Colocar as coisas
nos seus lugares. E começa isso com o ‘Samba de uma noite de
verão’. Ele foi escrito em 2008, na verdade. Faz bastante tempo,
claro que eu fui depois trabalhando o texto ao longo de todo esse
tempo, mas ele foi escrito naquela época. Então, meu primeiro texto
que vai para a cena é também o meu primeiro texto que vira livro.
Obra(s)/Obra(s)
e recepção do público
Você poderia falar um pouco sobre o livro “Samba de uma noite de verão?” Você escreveu em 2008 e lançou em 2016, por que esperar tanto tempo?
Esse
livro nasceu de uma maneira bem particular e bem diferente dos meus
processos de hoje. Eu fazia a escola de teatro em Londrina e nós
íamos montar o “Sonho de uma noite de verão”. Quando eu li,
essa peça me pareceu muito brasileira porque eu já estudava desde
então a coisa da mitologia dos orixás e gostava muito das religiões
africanas. E o Shakespeare usa a mitologia grega e os deuses são
muito parecidos. Eles têm características humanas, características
para o bem e para o mal. Fora isso, os amores tropicais, aquela coisa
das trocas de casais muito loucas que Shakespeare usa na história.
Aquilo me parecia muito brasileiro. Então eu tive a ideia de
ambientar essa peça em uma comunidade e trabalhar metáforas da
formação do Brasil a partir das nossas raízes e matrizes étnicas.
Eu fiz essa proposta para a nossa diretora da época, a Edna Guiar, e
ela falou “vamos fazer”. E eu comecei um processo longo de
pesquisa. Foi uma pesquisa de mais ou menos um ano para encontrar
personagens e situações que fossem paritárias as de Shakespeare só
que dentro do contexto brasileiro. Lendas indígenas, personagens da
nossa tradição, sejam tradições literárias ou tradição
cultural mesmo, quase etnológica do Brasil, e essa coisa sobretudo
da mitologia africana que eu passei a ler muito mais. E ele nasceu
assim, eu passei a construir ao longo de um ano.
Em
2009, a peça estreou no final do ano e eu a deixei guardadinha lá
na gaveta. Foi uma temporada grande, era uma peça que tinha uns oito
personagens e tinha banda também, era uma peça bem grande. Mas eu
guardei esse texto porque me parecia que ele tinha um potencial muito
grande pelo fato de ser leve, ser uma comédia, mas o mesmo tempo
trabalhar temas do Brasil, temas importantes, sobretudo para jovens
adolescentes para incentivar a leitura do texto dramático que é
praticamente inexistente no mercado editorial. Eu queria fazer um CD,
o livro fala o tempo inteiro de canções. Então esse projeto era
muito grande, eu não queria lançar um livro qualquer, mas um livro
que tivesse todos esses elementos e que servisse ainda como uma obra
paradidática. Então ao longo desse tempo foi que eu fiz ajustes
nele, fiz muita pesquisa sobre expressões idiomáticas, fiz mudanças
no texto e criando também essas novas canções que foram
interpretadas por cantores de Londrina quando o livro foi lançado.
Ele vem encartado no final. Fora isso o livro traz também
partituras. E justamente, são partituras simples, para que alunos e
estudantes das escolas possam tocar essas músicas e para que eles
possam fazer leituras dramáticas dessas músicas e que de fato
pudessem fazer desse objeto que não ficasse só lá na biblioteca,
mas que pudesse circular, fazer essa palavra circular entre essas
pessoas. Ele tem também um posfácio que é de duas professoras da
Universidade Estadual de Londrina que serve como uma espécie de guia
para professores. Assim o livro tem vários textos e eu queria que
ele chegasse nesse resultado. Então por isso tanto tempo.
E
um outro motivo, esse bem prático, é que ele não passava nos
editais. A gente tem um programa municipal de incentivo de cultura em
Londrina que é um programa bem antigo, bem conhecido e eu mandava.
Eu mandei um ano e não passou, dois anos e não passou, três,
quatro e não passou. Ele passou no último, no quinto. Então,
obstinação pessoas que querem que seus projetos passem nos editais.
Porque a gente está na mão de comissões e as comissões avaliam
que esses projetos não são importantes ou que eles não são
relevantes, ou que existe coisa melhor, mas é preciso ter obstinação
porque uma obra com essa configuração: com capa dura, com
ilustrações, tem também os grafites aqui que são meus e com o CD
principalmente. Tudo isso onera muito o produto. Tudo isso é muito
caro, então uma editora não faria esse livro, mas uma lei de
incentivo faz e tem obrigação de fazer justamente para que seja um
produto importante para professores, estudantes. Tanto que ele foi
distribuído como contrapartida para todas as escolas do município.
Os professores trabalham muito esse livro nas escolas. O processo foi
mais ou menos esse e a demora está justificada por essas questões,
mas eu disse que é um processo bem diferente dos outros que é de
juntar pedaços e a partir de inspirações. Isso vem de pesquisa
mesmo, não é uma coisa de iluminação. Claro, a ideia inicial vem
de uma iluminação, de uma inspiração, mas ele tem uma coisa de
pesquisa muito forte.
Como foi sua reação ao saber da premiação do Jabuti?
Como foi sua reação ao saber da premiação do Jabuti? Um susto! Foi um susto mesmo, porque primeiro que eu nunca foi ligado nos prêmios literários então não sabia muito bem como eles funcionavam, mas sempre que eu via o Jabuti eu tinha a impressão de ser uma premiação que era atribuída a grandes autores de grandes livros de grandes editoras até porque ele tem um apelo comercial muito grande. Você ter um livro com esse selinho do Jabuti ele ganha nas livrarias um status diferente, ele vai para a vitrine e tudo mais. Eu sempre imaginei que fosse uma coisa mais ou menos desse star-system do mundo literário, mas fiz minha inscrição pra ver no que dá. Isso foi no ano de 2017. Eu lancei ele em dezembro de 2016. Mandei lá, mas até esqueci e estava, em agosto e setembro, na loucura do Festival de Dança que é um tempo que eu não durmo e só trabalho. Tem que escrever catálogo, tem que fazer a curadoria, muita coisa para fazer. E entre essas noites mal dormidas eu recebi um e-mail de um professor da época de jornalismo [na UEL] que tinha sido meu orientador e ele falava “Renato, eu vi aqui, eu estava na internet e vi aqui que seu nome está entre os finalistas do Jabuti. Parabéns” e eu falei “o que?” e aquilo me parecia meio que um sonho porque eu estava a tanto tempo sem dormir, fazendo aquelas coisas, sem tempo e eu falei “gente, que coisa louca. O que esse homem está falando?”. Entrei no site do Jabuti e estava lá o meu nome, porque eles divulgam uma lista com os 10 finalistas de cada área e o meu nome estava lá. Esse livro estava concorrendo na categoria de ‘adaptação’. E estava lá meu nome junto com o nome do Walcyr Carrasco que estava com uma novela super bombada na época, ‘No outro lado do paraíso’. Cara, eu falei “que inacreditável”. E a gente não tem muita noção exatamente por estar em uma cidade do interior e por ser uma pequena editora e tudo mais. Eu comecei a saber um pouco mais sobre o Jabuti e vi que é um prêmio muito, muito, sério. Não é a toa que eles dão visibilidade de fato muitas vezes para essas obras porque eles pegam o texto e analisam. Não é uma coisa que tem a ver com o tamanho da editora e com essas coisas. Tanto que no ano passado [2018] o Jabuti vencedor foi de uma cidadezinha do interior do Nordeste, um livro chamado “Cidade” e um cara que imprimiu ele mesmo as cópias do livro e distribuiu ele mesmo, e ele ganhou o primeiro lugar. É um prêmio muito importante, um prêmio que precisa ser respeitado e ele faz jus ao nome que ele tem por isso. E eu vim a descobrir somente quando eu fui contemplado. Aí eu avisei todos os meus amigos jornalistas, “aproveitem para fazer matéria porque [estar entre] esses 10 lugares já está ótimo pra mim. Já está no topo da minha vida”. Daí saíram as matérias lá com “londrinense é finalista no prêmio Jabuti”. Passou um tempo e eu juro por Deus que eu não acreditava mesmo que eu pudesse estar entre os premiados. E estava lá, saiu o resultado e eu fui premiado em terceiro lugar junto como Walcyr Carrasco para a alegria da minha mãe noveleira. Foi um susto assim, obviamente uma alegria indescritível. A vida vira do avesso, porque eu nunca pensei em ter essa vida que eu tenho de dar palestras assim, inclusive eu sou extremante tímido. No palco é outra coisa, você tem um roteiro a ser cumprido, mas participar de bate-papo, dar oficinas eu nunca pensei mesmo. E foi a partir do Jabuti, foi o Jabuti que abriu portas para que isso acontecesse.
Então
foi um prêmio muito importante, claro que tem essa questão da
alegria que foi quase egoísta. Uma alegria individual boa. Mas
também foi uma alegria coletiva na cidade e isso me deixa ainda mais
feliz. Porque nós estávamos vivendo em 2017 um processo que se
agravou muito que é de criminalização das artes, de perseguição
da vida intelectual e artística desse país. As leis de incentivo
são colocadas o tempo inteiro em cheque, como se elas não
precisassem existir, como se fosse coisa de vagabundo – que esse é
o termo que se usa: que artistas são vagabundos porque eles não
trabalham nada e eles recebem muito. Eu trabalho na área cultural a
muito tempo e eu não conheço do meu círculo de convivência nenhum
artista que não tenha que trabalhar três vezes mais que qualquer
pessoa comum. Quase sempre porque eles precisam ter um emprego e
depois, que obviamente essas leis de incentivo publicam, patrocinam o
produto em si e não patrocinam vidas de luxo e de requinte. Então
as pessoas precisam entrar em um terceiro turno numa sala de ensaio
ou então ir para a frente do computador e escrever e precisam dessas
leis de incentivo para publicar, para fazer com que possam comprar
cenário, possa publicar um livro. Então é uma vida muito árdua,
quase um sacerdócio no país que a gente vive. Eu posso dizer isso
com convicção porque já estive numa experiencia na Franca, por
exemplo, e vi como o artista lá é valorizado e como ele pode
transformar isso em uma profissão. E isso não acontece nesse país
[Brasil] que quase sempre os artistas precisam ter uma vida duplas e
triplas. Mas a gente estava em 2017 no início desse movimento, que é
sobretudo um movimento político, não só ideológico, mas também
político, político-partidário até. É muito específico de
criminalização e de tentativa de colocar a arte como uma espécie
de vagabundagem, como uma espécie de vida fácil e essas leis são
colocadas em xeque. Então, quando eu ganhei esse Jabuti foi uma
espécie também de conquista coletiva, não da classe cultural, mas
da cidade que fez com que a gente valorizasse – está vendo como é
importante que a cidade tenha uma lei de incentivo como essa e como
mirrados e pouquíssimos recursos conseguem levar o nome de Londrina
para o Brasil inteiro e até para o exterior dependendo dos projetos.
O nome de um londrinense sai no Estadão, sai na Folha de São Paulo,
ele está lá em São Paulo no Ibirapuera, o nome dele está sendo
dito pela Marília Gabriela, que tem que ir por esses meios para
conversar com algumas pessoas. Portanto foi também uma entrevista
coletiva e isso me deixa muito feliz. E eu sempre falo que a
premiação maior que a tartaruguinha é o fato de que a partir de
então esse livro foi distribuído nas escolas e na época eu mandei
pelo Núcleo de Educação um recado dizendo que eu estava disposto a
ir nas escolas falar sobre o livro ou falar um pouquinho sobre as
artes e tudo mais. E eu nunca fui convidado por nenhuma escola,
porque a gente sabe também que os livros muitas vezes vão para a
biblioteca e lá ficam. Pouquíssimas pessoas têm curiosidade e vão
lá pegar, mas depois do Jabuti eu comecei a receber muitos convites
e vou voluntariamente com o maior prazer nas escolas falar com os
alunos, falar sobre essas questões que são colocadas e reflexões
sobre o Brasil e a nossa formação, sobre a importância da cultura
africana e negra na nossa formação, sobre a questão da mitologia
dos orixás. Desmistificar um pouco essas questões que são
colocadas no universo muito nebuloso na nossa formação. Tenho muito
prazer de ir nas escolas. Desde então pude também encontrar muitas
pessoas, muitos alunos de escolas públicas e contar um pouco dessa
minha história […] para que eles acreditem que eles podem. Que
todos nós podemos. Acho que é isso, o Jabuti mobilizou tudo isso na
minha vida e não é pouca coisa. Não é simplesmente um troféu e
não é simplesmente uma alegria individual, boba e egoísta. Ela
significa muito mais em termos coletivos, em termos do que isso pode
ser na vida de outras pessoas. E isso acontece sobretudo quando o
prêmio vai para uma cidade do interior e para um lugar aonde a
cultura quase sempre é colocada em xeque.
Você falou da importância de o prêmio ir para cidades do interior e livros publicados por pequenas editoras. Aqui em Ponta Grossa temos um movimento crescente de autores publicando seus conteúdos por editoras pequenas. Ao seu ver como esse movimento, fora de um mainstream literário pode influenciar um jovem ou a pessoa que tem um sonho de publicar um livro?
Olha
eu acho que é o único caminho que a gente vai passar a ter no atual
contexto. A gente está vivendo uma crise acentuada no mercado
editorial no Brasil, uma crise nas livrarias. A gente está vendo
fechamento de redes e tudo mais porque de fato é um novo tempo.
Estamos vivendo uma fase de transição que é inédita, uma
realidade que a gente não sabe muito bem como viver com ela e como
agir. Primeira coisa é a deflagração das redes sociais e com a
internet o texto que é digital. Isso é um processo sem volta e eu
percebo que é justamente nesses pequenos espaços, nas pequenas
editoras e também nas pequenas livrarias um pouco mais alternativas
que a gente tem espaço para encontrar os nossos grupos porque acaba
sendo uma coisa também restrita. A pessoa que gosta de determinada
literatura vai nesses espaços e compartilha, às vezes ela também
escreve então acaba sendo uma espécie também de ciclo. Por um
lado, isso não é ruim porque o mercado editorial também é uma
selva. Não sei se vocês sabem, mas tem uma informação assim de
que foi divulgada que num contrato assinado de um escritor com uma
grande editora 10% de um preço de capa de um livro vai para um
escritor, que é pessoa que só concebeu tudo aquilo, 50% fica com a
livraria e esses outros 40% são empregados nos custos de impressão
e editoração e tudo mais. O escritor em si que é o artista, que
tem um papel fundamental e iniciador de tudo isso, é quem fica com a
menor fatia dentro desse star-system desse mercado editorial.
São também alternativas essas editoras menores que a gente pode ter
um processo primeiro um pouco mais inclusivo a diferentes tipos de
literatura porque a gente tem muitos gostos, muitas formas de
escritas e muitos gêneros. […] E por outro lado também para que
seja um espaço um pouco mais democrático para que o escritor seja
valorizado. Eu não acho esse movimento ruim, não fico lamentando
aos quatro ventos de que “nossa, o livro está acabando” porque
acho que cada vez mais ele vai ser um produto para pessoas que
reconhecem o seu valor de fato e que querem aquilo. Agora é claro
que a gente não pode deixar que a cultura também fique restrita só
a esses espaços dos guetos. De novo, um movimento grande no país
quer fazer com que isso aconteça porque isso também é um processo
de alienação, de eliminação da vida pensante no país e isso é
um movimento que a gente precisa sempre lutar contra, mas as formas
de se fazer arte, de se fazer cultura vão cada vez se transformar. E
a gente precisa se adequar aos novos tempos.
Convidamos Fernanda Prestes para conversar sobre livros e representatividade. Fernanda é a coordenadora do clube de leitura Só Garotas e também conversou com a gente sobre as trocas de experiências que acontecem nos encontros do clube. E, como de costume, perguntamos para nossa convidada quais seriam os cinco livros que ela salvaria em caso de incêndio.
A seguir todos os livros, artistas, bandas, músicas e listas citados no podcast:
Livros: O Guarani – José de Alencar Alice no País das Maravilhas – Lewis Carroll Bolsa Amarela – Lygia Bojunga Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade – Sigmund Freud A Política Sexual da Carne – Carol J. Adams De uma branca para outra – Eliane Brum Olhos d’água – Conceição Evaristo Presos que Menstruam – Nana Queiroz Feminismo para os 99%: um manifesto – Cinzia Arruzza, Heci Regina Candiani e Nancy Fraser Pomar das Almas Perdidas – Nadifa Mohamed
Filmes: As Invasões Bárbaras – Direção: Denys Arcand O Declínio do Império Americano – Direção: Denys Arcand Aquarius – Direção: Kleber Mendonça Filho Woody Allen
Indicação de leitura para nós: Calibã e a Bruxa – Silvia Federici
Lista dos 5 livros: Em Busca do Tempo Perdido – Marcel Proust A Cor Púrpura – Alice Walker A Redoma de Vidro – Sylvia Plath Incidente em Antares – Érico Veríssimo O Alienista – Machado de Assis
O porco Napoleão é uma produção quinzenal do projeto “Pássaro Liberto”, gravado no Cactus Coffee Bar e editado pela equipe do Cultura Plural.